VAMOS CONTINUAR…

6 de Agosto, 2008

O Grupo de Cidadãos Eleitores informa a todos os simpatizantes que no decorrer deste ano promoverá as seguintes iniciativas:

- 1 – Apresentação de propostas temáticas de realização para a celebração dos 500 anos da Freguesia de Gaula.

- 2 – Acções de sensibilização com vista da explicar à população do Concelho de Santa Cruz da importância da criação dos movimentos de cidadãos, no enriquecimento da democracia participativa.

Agradecimento à população e 500 Anos da Freguesia.

28 de Julho, 2008

O Grupo de Cidadãos “Pelo Povo de Gaula” promoveu no fim-de-semana passado (Sábado e Domingo, 26 e 27 de Julho) uma actividade junto da população, tendo por objectivo o seguinte:

1 – Agradecer a expressiva votação dos gauleses no novo movimento aquando das eleições de 22 de Junho de 2008.

2 – Firmar que o PPG, enquanto oposição, irá credibilizar a Freguesia de Gaula e irá continuar o seu trabalho de sensibilização e consciencialização para a importância dos movimentos de cidadãos.

3 - Defender a candidatura de Santa Cruz como “Município da Cultura – 2009 – como aliás defendeu o PPG em Maio junto dos eleitores – fazendo coincidir as celebrações com os 500 Anos da Fundação da Freguesia de Gaula (13 de Setembro de 2009).

Os poios madeirenses.

17 de Julho, 2008

“Existirão tão poucos patrimónios, com identidade marcadamente regional, como são os poios madeirenses. Escalonados no recorte da paisagem, criando conjuntos ritmados pelos muros de pedra seca mais ou menos aparelhada, concebem uma imagem única, singular, que importa no presente preservar.

Nos dias que correm, este património tende a desaparecer. Não existem programas de valorização e de preservação, quanto muito a intervenção que temos vindo a constatar é a da “cimentização” quase descontrolada. Abafados sob uma capa inestética do betão, o impacte paisagístico está à vista de todos. Acaba-se por destruir a memória cultural e hipoteca-se uma das imagens de marca do turismo cultural madeirense.

Não será de todo descabido comparar este património com as pirâmides do Egipto. Embora o tempo de construção os separe por mais de dois mil anos e as técnicas e as tipologias construtivas serem manifestamente distintas, os poios madeirenses revelam-se autênticos “monumentos” de pedra, do mais ínfimo vale até ao topo da elevação.

Rasgados por levadas e regos condutores de água, traçados por escadas e escadinhas em pedra saliente, a prática resistente da agricultura e de alguns agricultores têm sido o principal garante da sua manutenção.

Qualquer programa futuro que contemple a sua valorização e classificação não poderá esquecer a parte humana, as dificuldades e os condicionalismos do agricultor.

O futuro do turismo local tem que se basear, entre outros, na preservação daquilo que é autêntico e que carrega o selo de qualidade. Com efeito, a qualidade não se mede, neste caso, pelo índice numérico de paredes betonadas. Os concursos públicos para abertura de vias necessárias à vida quotidiana têm que contemplar a política da preservação dessa identidade. Necessariamente que os custos mediatos serão outros, mas o futuro da qualidade não terá preço. O garante do turismo regional assentará na preservação, pensada e reflectida, da paisagem cultural e os poios serão, sem dúvida, uma pesada prioridade.”

Élvio Sousa, in Revista Rugas, Setembro de 2006.

Os Remates de Telhado Madeirenses

15 de Julho, 2008

A arquitectura tradicional madeirense não se mede pela casa em si-mesmo. Ao seu redor, no chão e na cobertura, persistem outros elementos arquitectónicos ou decorativos singulares da cultural local.

O costume de colocar nos acabamentos dos telhados pequenos objectos de barro ou de argamassa vem de há muito tempo. Se observarmos as casas mais abastadas, algumas solarengas, em ambiente rural ou urbano, deparamo-nos com elementos figurativos mais simples, do tipo lanças mais ou menos esguias. São, no geral, apontamentos sóbrios mas, elegantes, de acordo com o panorama da arquitectura em geral.

No início do século XX generaliza-se o uso dos remates de telhado nas habitações madeirenses. Proliferam os mais diversos elementos figurativos, cabeças de meninos e de fidalgos, papagaios e pombas em repouso e de asas levantadas, cabeças de gatos e de cães, dragões e outros elementos geométricos. A variedade do material da cobertura acompanha a matéria-prima do remate.

Esta característica arquitectónica tem sido esquecida pela maioria dos investigadores da arquitectura madeirense. Não existem estudos aprofundados e levantamentos sistemáticos que permitam uma avaliação rigorosa e uma análise sinóptica deste património.

Há pouco tempo a Junta de Freguesia de Gaula, em parceria com um grupo de amigos do património iniciou um levantamento exaustivo destes elementos. O estudo, revela um conjunto de dados ao nível da aquisição das peças, dos critérios decorativos e da dispersão figurativa dos exemplares. Anos antes, a Associação de Arqueologia e Defesa do património da Madeira (ARCHAIS) iniciou um programa

experimental de recuperação e valorização dos remates, após uma candidatura ao programa Leader+. O resultado desta acção foi positiva, porque aquilo que até então era aparentemente invisível pela população em geral passou a estar no plano visível da preservação.

Quem não conhece não ama. Ao conhecer a população passou a revelar um outro cuidado na manutenção destes elementos decorativos. A memória agradece e salvaguardaram-se pequenos restos de cultura que fazem da nossa identidade material um marco histórico-cultural.

Élvio Sousa, In Revista Rugas, Julho de 2006.

Gauleses v. Romanos

14 de Julho, 2008

Até já….

GAULA: UM PROBLEMA DE GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS.

13 de Julho, 2008
“Preocupa-me a situação política na freguesia de Gaula. Uma freguesia politicamente gerida e administrada pelo PS-Madeira, pertencente a um concelho cuja luta política tem sido permanente e protogonizada, de longa data, por um conjunto de pessoas de reconhecida competência e idoneidade política e social. Gaula é, histórica e definitivamente, uma terra de democratas.
Também ao nível concelhio, nas últimas duas décadas, não pode ser ignorada, entre outras importantes figuras, o trabalho do ex-Deputado Gil França que, paulatinamente, através de uma acção política persistente e com custos pessoais, conseguiu provar que era possível uma mudança de orientação política no concelho. Não foi por mero acaso que o PS, enquanto partido alternativo de poder, ali conseguiu equilibrar os pratos da balança política, colocando dois a três deputados e o mesmo número de vereadores na Câmara.
Mais recentemente, com Filipe Sousa, o trabalho continuou e, infelizmente, hoje, o que é público e notório, é que o edifício com muito sacrifício construído está se desmoronar. As eleições intercalares na Freguesia de Gaula é a prova mais evidente do descalabro.
Não me compete atribuir ou definir culpados pela situação. O que me parece evidente é que não houve capacidade para gerir o processo desde os primeiros sinais de desconforto interno. Detectar e gerir conflitos constitui, aliás, uma tarefa determinante no êxito das organizações. Por isso, qualquer gestor tem de ficar atento aos sinais. Tal como um médico que tem de estar atento aos sintomas para poder fazer o diagnóstico, também o gestor tem de saber identificar os sinais. Normalmente os sinais estão divididos em duas categorias:
Os sintomas que são actos inconscientes, isto é, comportamentos não intencionais associados ao conflito e as tácticas que, pelo contrário, constituem formas mais deliberadas das pessoas envolvidas exprimirem as suas posições.
É evidente que os sintomas são de difícil identificação. Mas podemos enumerar alguns: a má comunicação, isto é, as pessoas deixam de comunicar totalmente ou fazem-no superficialmente e com extrema tensão; a hostilidade entre grupos que constitui uma área de intervenção em crónico litígio com uma outra qualquer; os atritos interpessoais que se manifestam em vários graus: desde a hostilidade calma até à agressão aberta; a escalada, em que se lateraliza o problema, não tanto para ser resolvido mas sobretudo para conseguir mais apoio; o designado moral em baixo que corresponde à sensação de que “não vale a pena tentar” ou, então, “para quê maçar-me”; o controlo da informação, isto é, quando se deixa as pessoas às escuras, dando-lhes a conhecer apenas aquilo que se quer que conheçam; e até a difamação, através da utilização de histórias acerca de A ou de B.
Portanto, perante isto, é necessário procurar as causas. E analisar as causas não é fácil como parece. Até porque, quando se detecta um conflito, há sempre uma tendência para culpar alguém que, por sua vez, retribui a acusação.
Ainda sobre esta questão dos conflitos, vários autores consideram algumas causas mais comuns do seu surgimento:
Objectivos e ideologia. Sempre que ocorre uma interacção entre duas ou mais pessoas ou grupos, com objectivos diferentes, existe a possibilidade de conflito. Para obviar isto deve-se criar um clima de confiança e insistir na necessidade de uma concertação de esforços; Território. Todos nós estamos familiarizados com a ideia de território no mundo animal. As pessoas, no interior das organizações, também. E o território não é apenas o espaço físico. O território joga com o investimento pessoal, a estima, a influência, o poder, os louros, até as próprias recompensas financeiras; As hostilidades irracionais. Por exemplo, as pessoas que se irritam ou se tornam vingativas devido a atitudes menos aceitáveis de quem tem responsabilidades de gestão. Neste caso descarrega a sua frustração nos outros. E há pessoas que pura e simplesmente não gostam de outras.
Ora bem, há que saber arbitrar os conflitos. Detectar um problema é apenas uma parte. E para arbitrar os conflitos, isto é, os desacordos, há uma série de princípios:
Reconhecer discordâncias que não são conflitos. São os chamados conflitos funcionais que ajudam a que a organização cresça; Prevenir que é melhorar que remediar; Intervir quando é necessário, quando se tornam numa ameaça; Separar as partes, mas com o cuidado necessário em função do território de cada um; Ser bom ouvinte; Explicar o que se vai fazer, mas nunca prometendo aquilo que se sabe não poder fazer.
Há, portanto, necessidade de tirar partido dos desacordos. É o que se chama retirar a energia dos desacordos e potenciá-los no sentido da melhoria. Como se pode deduzir, a primeira tarefa não é a da intimidação pela aplicação dos regulamentos disciplinares. Quando aí se chega é que alguma coisa falhou nas fases anteriores.
No caso de Gaula parece-me existir uma história de degradação progressiva do processo que veio a determinar o quadro político que aí temos. Chegado ao ponto que chegámos, entendo que o PS-M, naquele contexto, deveria ter apoiado claramente os independentes antes que outros o fizessem. Por aí ganharia tempo suficiente para cumprir um conjunto de importantes tarefas no sentido de se apresentar às eleições autárquicas de 2009 em condições de vencer o concelho. Não percorrer este caminho poderá significar a perda definitiva das pessoas, da Junta e da Câmara. Oxalá esteja eu enganado, mas não me parece. Até porque, o PSD nestas coisas não dorme.” André Escórcio, in http://comqueentao.blogspot.com/.

Actos e Omissões

12 de Julho, 2008

Os actos e as omissões acompanham o comportamento humano. Ora se manifestam atitudes diversas, ora se praticam omissões, não raras vezes para supressão de qualquer coisa menos bem ou menos-mal. Vamos aos exemplos.

Ao nível dos “actos” importa realçar a Feira/Festa do Livro, organização da Câmara Municipal do Funchal e da Comissão dos 500 anos. Foi visível a qualidade logística do evento, destacando-se a apresentação dos espaços e o dinamismo cultural subjacente.

Importa realçar, também, a qualidade do debate promovido pela Câmara Municipal de Machico e pela Comissão Organizadora do Mercado Quinhentista de Machico subordinado ao tema “O Património Cultural Imaterial de Machico”. O colóquio, na minha opinião, reforçou a identidade cultural e deu voz aos protagonistas na primeira pessoa, caso dos artesãos da pedra, dos fachos e das artes da caça à baleia.

Nas omissões, salienta-se a situação flagrante da pretensa omissão deliberada de fonte, em desrespeito pela propriedade intelectual de um investigador de elevada qualificação no estudo da obra do arquitecto Raúl Chorão Ramalho na Madeira, Emanuel Gaspar. A atitude e a omissão relevam a imprudência com que o exercício da investigação foi conduzido pela coordenação do livro “Guia dos Monumentos do Funchal”. Entende-se por “plágio” toda a cópia e apropriação indevida contendo partes de um trabalho intelectual, literário ou científico, que pertençam a outra pessoa sem colocar os créditos de autor e a mais elementar citação em aspas.

Para quaisquer dúvidas, eis algumas das partes envolvidas: Lê-se em Emanuel Gaspar (2002), na revista ILHARQ, p. 79, entre outras passagens nitidamente copiadas: ” (…) uma valorização da importância da vegetação nos pátios abertos públicos e vivenciais, calcetados no tradicional calhau rolado do mar com lajes em cantaria e onde surgem duas esculturas: a modernista representação da Família de Jorge Vieira e a académica alegoria da Providência de Lagoa Henriques”

Lê-se no livro Guia dos Monumentos do Funchal (2008), p. 129: ” (…) valorização à importância da vegetação nos pátios abertos públicos e vivenciais, calcetados com o tradicional calhau rolado e lajeados em cantaria, nos quais surgem duas esculturas: a modernista representação da Família, da autoria de Jorge Vieira, e a académica alegoria da Providência, de Lagoa Henriques”.

Há quem queira silenciar o acto e a omissão. Estar em democracia é contribuir para o pluralismo de opinião e para a responsabilização singular e colectiva. Os dados falam por si. A interpretação traduzida em factos nem sempre é a expressão livre do pensamento de uns e de outros. Até lá caberá ao director ser “cidadão do mundo” e ao cidadão ser “director” de si mesmo. Élvio Sousa, in DN, ed. de 9-6-200.

“De Gaula a Caracas passando por Guimarães”

12 de Julho, 2008

“(…) Também de riscos de irrelevância e destruição se pode falar quando se observam os resultados das eleições intercalares em Gaula. Os resultados do PS-M são piores do que qualquer cenário que se pudesse traçar. Obter 70 votos numa eleição que anteriormente se ganhara, com quase 1200 votos, parecia impensável. Mas obter 70 votos numa eleição em que o líder do Partido se envolve tão intensamente é significativo. Isso prova que, contrariamente ao que muitos pensavam, não existe um limiar mínimo garantido para os grandes partidos nacionais. Qualquer partido pode cair no abismo e tornar-se irrelevante. Espera-se que direcção e militantes do PS-M discutam e reflictam sobre os riscos graves que corre o PS-M. Urge uma palavra do líder do PS-M sobre responsabilidades e sobre caminhos de futuro. (…)”. Maximiano Martins, in DN, ed. de 12-7-2008.

Um “óscar” para o Teixeira!

11 de Julho, 2008

“Óscar Teixeira, num solitário artigo de opinião denominado “orgulhosamente só”, devota uma opinião pessoal sobre o grupo de cidadãos “Pelo Povo de Gaula”, cuja resposta quis agora sair em jeito de curta-metragem:

1. Óscar para o actor principal: Óscar Teixeira (OT), pela solidariedade devida aos seus próximos, expressão e corporização da personagem e respeito pelo guião da ex-Rua do Surdo.

2. Óscar para melhor actor secundário: OT, na noite das eleições, após o conhecimento dos resultados, feliz e satisfeito porque segundo a versão do guionista “derrotámos os traidores“.

3. Óscar para melhor realizador: OT, porque realizou o sonho de ir tantas vezes a Gaula pelo Caminho de Santa Cruz. Já conhece o caminho de volta - de si próprio e dos seus pares, também eles realizados pela “derrota dos traidores“.

4. Óscar para melhor banda sonora acompanhada de um projecto para a freguesia:Ponho o carro, tiro o carro, à hora que eu quiser, que garagem apertadinha, que doçura de mulher, tiro cedo e ponho à noite, e às vezes à tardinha, estou até mudando o óleo na garagem da vizinha!

5. Óscar para o melhor argumento: OT, porque argumenta que, “afinal, o “movimento PPG” não passou de uma grande fraude, porque, em vez de ser “Pelo Povo de Gaula”, deveria ser “Pelo Meu Futuro“. Curioso argumento sobretudo observando-se, por comparação, os resultados eleitorais. O PS de OT teve 3,5% (apenas 70 votos) e o PPG teve 42,16% (828 votos).

6. Óscar para um ainda argumento a filme de terror, com arame farpado e vampirada à mistura: OT: “Afinal, para o G, rodeado de meia dúzia de pessoas em jeito de arame farpado e que pretenderiam evitar a investida dos melros pretos às amoras de Gaula, foi estimulante entregá-las de volta aos vampiros”.

7. Óscar para o melhor tema do guião: “Orgulhosamente Só“, porque só OT para avaliar o que é dos outros e ao que parece não reina em casa própria.

8. Óscar para o melhor documentário-filme de âmbito local: “A noite da Graça“, numa alusão à vigília sob o extenso manto de calhau rolado da Igreja de Nossa Senhora da Graça, na Achada de Gaula, reunindo vários personagens dedicados à causa maior “Derrotar os Traidores“.

Chama-se para a entrega dos óscares João Carlos Gouveia, que desde o início ao fim da cerimónia proferiu, “sem vezes”, o nome de Filipe Sousa. E disse: “Que ninguém se atreva mais a fazer chantagem ao PS e ao seu presidente” e acrescenta: “Não sou hipócrita. O principal objectivo do PS foi cumprido. O projecto do Filipe Sousa não podia vingar, porque era contra o PS. Missão cumprida“. Porra! OT, outra vez o Filipe…”

Élvio Duarte Martins Sousa, in “Cartas do Leitor” - DN, ed. de 11-7-2008. foto oscar-fish, daqui.

Um olhar sobre os remates dos telhados das casas de Gaula

11 de Julho, 2008

“Quem visita a Madeira com um olhar atento já deve ter reparado nos elementos decorativos existentes nas esquinas dos telhados das casas mais antigas, que se podem encontrar por todo o lado, ao redor da ilha. Os mais comuns são as caras de anjo, pombas de asas abertas, ou até mesmo figuras de cães ou gatos. Pela primeira vez na ilha foi elaborado um estudo específico e aprofundado sobre esta característica particular da arquitectura insular. O livro Remates, Telhas e Moldes - Gaula como Caso de Estudo teve origem na iniciativa de um auto-intitulado Grupo Informal de Jovens Amigos do Património, coordenado pelo jovem arqueólogo Élvio Sousa, e foi publicado pela Junta de Freguesia de Gaula. O lançamento desta obra ocorreu no pretérito dia 14 do corrente mês na sede desta entidade.

Trata-se de um pequeno livro, que ostenta na capa a foto de uma cara de fidalgo, um dos muitos exemplos de decoração dos telhados inventariados na freguesia de Gaula. Contendo 64 páginas, profusamente ilustradas com fotos coloridas destes pormenores decorativos, este trabalho apresenta uma introdução bilingue (em português e inglês) e quatro capítulos principais: ‘Os Remates do Telhado na Arquitectura Tradicional Madeirense. O Caso Específico da Freguesia de Gaula’, da autoria de Élvio Sousa e Liliana Neto; ‘Manufactura de Remates de Telhado e Telhas através da Técnica do Molde’, de Lígia Gonçalves; ‘No Rasto o Tempo…’, de Miguel Nunes; e ‘A Telha Cerâmica como Material. Notas sobre a Intervenção de Conservação e Restauro dos Remates de Gaula’, de Nivalda Gomes.Seguidamente faremos uma pequena abordagem a cada um destes capítulos. Em relação ao primeiro, é referido que o uso destas decorações está intimamente relacionado com a existência de olarias na Madeira. Esta tradição floresceu sobretudo na 1.ª metade do século XX, com a abertura de várias olarias e terminou por volta dos anos 80 com o encerramento da última, então existente no Lazareto.

A origem concreta destas decorações é difícil de traçar, sendo que alguns autores a referem como tendo origens pagãs e outros como estando associados a elementos religiosos. Para a elaboração deste estudo foram analisadas 214 casas, situadas ao longo da Estrada Padre Alfredo Vieira de Freitas, e ruas José Pereira de Nóbrega e Clemente Tavares. Este levantamento permitiu verificar que 37% destas casas apresentam elementos antropomórficos (figuras humanas), 33% ostentam elementos vegetais e 12% representam aves. Neste levantamento foi possível inventariar vários tipos de modelos de remate: seta ou lança, menino penteado, menino com chapéu, pomba de asas abertas, pomba de asas pousadas, folha de acanto, bebé chorão, cabeça de fidalgo, gato, concha, palma, papagaio, cão ou outros.

Uma das curiosidades apontadas neste estudo é que vários elementos decorativos iguais aparecem agrupados por vários grupos de casas próximas entre si, numa evidente cópia do estilo da casa do vizinho do lado. Actualmente as casas mais recentes também apresentam alguns motivos decorativos nos seus telhados, mas que são importados do continente português e vendidos numa famosa casa de ferragens madeirense, que disponibiliza outros bichos, tais como caracóis, corujas ou até coelhos, para além das típicas pombas. O segundo capítulo deste livro refere-se à construção destes objectos decorativos em barro. Inicialmente de fabrico manual, quando entrou em moda a decoração dos remates dos telhados, foi preciso aumentar a sua produção e para isso recorreram-se às formas de gesso, normalmente compostas por duas ou mais peças, que eram enchidas com barro, sendo estes bonecos posteriormente retocados pelos artesãos que os faziam nas olarias outrora existentes no Funchal (a do Lazareto ou do Pimenta, a Fábrica Funchalense, a Fábrica Conde Canavial e a Fábrica da Achada) antes de serem cozidos num forno a alta temperatura. Nesta parte do livro são referidas informações interessantes facultadas por Renato Barros, que adquiriu os moldes da extinta fábrica do Lazareto. Segundo este informante ouviu de um dos antigos artesãos desta fábrica, cada remate tinha o seu significado próprio: a pomba significava a paz, a cabeça das bonecas significava a fertilidade, e as espigas tinham dois significados distintos: se fossem grandes, significava que a casa pertencia a quem lá morava, mas se fossem pequenas queria dizer que a casa era alugada. Ainda segundo o antigo artesão, os elementos decorativos eram, amiúdes vezes, a imagem de marca dos empreiteiros que construíam as casas, sendo alguns conhecidos pelo epíteto alusivo aos elementos decorativos que utilizavam. Esta parte deste estudo termina com uma interessante entrevista a José Pinto, de 34 anos e natural do Monte, antigo artesão que outrora construiu estes artefactos na olaria do Pimenta.

O terceiro capítulo, da autoria de Miguel Nunes, apresenta-nos uma importante colecção de fotografias de vários remates de telhados das casas da “terra das amoras”, tal como se apresentam na actualidade e onde está patente o efeito corrosivo dos elementos da natureza. No entanto, em maior ou menor grau de conservação, estes elementos decorativos ainda persistem, altaneiros, nas esquinas de muitos telhados daquela freguesia do concelho de Santa Cruz.

O último capítulo deste livro, redigido por Nivalda Gomes, começa por nos apresentar uma série de características da telha cerâmica como material para cobertura dos telhados e termina por apontar as melhores técnicas e procedimentos para a conservação e restauro dos antigos remates, explicitando ainda qual o melhor processo de intervenção para a recuperação destes antigos elementos decorativos dos telhados existentes nas casas antigas. Este livro, que pode ser obtido na Junta de Freguesia de Gaula, pretende alertar para esta faceta importante e muitas vezes menosprezada da arquitectura tradicional madeirense e divulgá-la de modo a que, sendo conhecida, seja valorizada e preservada. O facto de ter sido o corolário do interesse comum de um grupo de jovens gauleses merece ser destacado na medida em que evidencia o interesse dos mais novos pela arquitectura tradicional insular.” Duarte Miguel Barcelos Mendonça, in Portuguese Times (http://www.portuguesetimes.com).

O Bolo na Cinza da Boaventura.

11 de Julho, 2008

Longe vão os tempos em que a receita que se apresenta neste breve texto era, provavelmente, uma doce companhia dos manjares da população madeirense. De fabrico primitivo, talvez contemporâneo à confecção do bolo do caco, o Bolo na Cinza apresenta-se como um bem cultural imaterial, que corre o risco de desaparecer se não ficar lembrado na contemporaneidade. Actualmente vivem-se épocas de globalização. A gastronomia não é excepção. A indústria alimentar massificou-se, as ementas da restauração são maioritariamente de gosto mais ou menos importado e o receituário madeirense, ao não estar inventariado, perde-se na oralidade dos tempos.

A origem desta arte culinária é tão antiga como o povoamento da Madeira. A vinda de colonos do Reino, acompanhou o enraizamento de saberes, conhecimentos e tradições, desde então adaptados à orografia e aos recursos naturais da época.

Sabe-se, porventura, que na Antiguidade o povo hebreu tinha por hábito confeccionar um pão cozido sobre as cinzas. O registo vem escrito no Antigo Testamento, mais propriamente no Livro dos Reis.

Recentemente a UNESCO fez publicar a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, com o objectivo de proceder à salvaguarda desse património, que se revela pelas práticas sociais e económicas, tradições e expressões orais e conhecimentos ancestrais. A preocupação da UNESCO vai ao encontro da salvaguarda e da valorização daquele património que não ficou registado pela escrita e que se manifesta na oralidade dos tempos idos.

A confecção do Bolo na Cinza da Boaventura encarna, assim, esse património cultural imaterial que, ao não ser estudado e divulgado, corre o risco de se perder de forma irreversível. No registo desta memória local, devo ao Senhor Joel Freitas – personalidade atenta e com apurada sensibilidade no trato do património cultural – a origem e o conteúdo desta pequena notícia.

O Bolo na Cinza do Sítio do Serrão, Freguesia da Boaventura, é de confecção simples e de cozedura complexa e aprimorada. A massa utilizada é a mesma que o pão caseiro (farinha, batata-doce cozida, sal e o fermento), com a diferença de tamanho (pois confeccionam-se pequenos bolos), quando comparado com as tradicionais rosquilhas. Enquanto levedam, acende-se o lume para a produção da matéria-prima que dá o nome à receita: a cinza. Depois de lêvedo, a cinza é espalhada junto à lareira de modo a servir de cama para receber os bolos. Estes são colocados sobre a cinza em quantidades nunca superior a três unidades. A esta fase dá-se o nome de “acoalhar”. Depois, processa-se a cozedura até que a superfície ganhe a côdea desejada. O tempo de cozedura varia entre duas ou duas horas e meia, havendo a necessidade de virar repetidamente as faces do bolo para acabar de tostar na cinza renovada. Depois de “acoalhado” é empilhado nas proximidades do lar para acabar de cozer.

Antigamente a comida era feita à lenha. As cinzas resultantes da fogueira do almoço eram cuidadosamente aproveitadas para a cozedura dos bolos improvisando-se, também, uma segunda fogueira junto ao lar. Normalmente era uma receita confeccionada antes do Entrudo, principalmente na “Quinta de comadres”, “Quinta de compadres”, no “Domingo gordo” e no próprio dia de Entrudo. Nos tempos em que o colesterol não acusava nas análises médicas, o acompanhamento do bolo era farto. Cuidadosamente aberto ao meio, recebia um “lenho de carne” (fatia de carne gorda e couro do lombo do porco). Ainda há que se lembre do cheiro e da dose: “o lenho de carne era normalmente tão gordo que a “graxa” (gordura do porco depois de derretida) escorria por entre os dedos à medida que apertavam o bolo para comer” (Joel Freitas, no registo oral).” Élvio Sousa, in Rugas, Fevereiro 2008.

Caminhos e Veredas de Pedra.

10 de Julho, 2008

“A História do Arquipélago da Madeira não pode ser escrita sem o domínio do Mar Atlântico, que banha as suas praias de calhau rolado e de areia mais ou menos da cor do ouro. Por mar vieram dos navegadores portugueses no século XV, vieram as aventuras e os perigos destemidos dos “piratas” que controlavam rotas e mercados.

Por terra, a população que desembarcou nas ilhas no século XV iniciou a construção de casas, ruas e outras infra-estruturas de apoio ao povoamento. Nessa altura, cientes da orografia acidentada da ilha, implementaram uma rede de caminhos e de veredas quase sempre sinuosas. Muito deles localizam-se à beira da rocha, muito perto do mar. Posso referir, a título de exemplo, alguns traçados marcadamente singulares, cujas linhas geométricas configuram ziguezagues. O caminho do Pé da Ladeira em Machico, o da Rocha do Gato no Porto Novo e o da Entrosa, na Boaventura, são exemplares notáveis desta tipologia. Engalanados na rocha basáltica, apresentam um piso normalmente calcetado em pedra, notando-se nalguns percursos as marcas dos veios das corças e dos rastos das gentes que outrora os subiram e desceram.

Recentemente, uma proposta de inventariação e classificação destes percursos foi recusada na Assembleia Legislativa Regional. A contestação apresentada referia, inclusive, que este património estaria acautelado no presente por políticas de conservação e de salvaguarda. Na verdade, o nosso “Parlamento” que, por diversas e inacreditáveis razões tem vindo a público discutir muitas vezes o indiscutível, acabou por subtrair mais um estímulo à preservação da nossa herança. Na verdade, não existem actualmente políticas de apoio à preservação deste património, quanto muito a estratégia seguida tem sido a sustentação de uma pesada cobertura de alcatrão, escondendo irreversivelmente o traçado e o piso mais antigo.

Perante este cenário, ficamos entregues ao cidadão mais ou menos consciente, na expectativa de ele próprio manter um ou outro caminho ou vereda com o substrato original da nossa herança cultural.” Élvio Sousa - Publicado na revista Rugas, Agosto de 2006, p.23

Pelo Povo de Gaula.

10 de Julho, 2008

“Gaula motivou a cidadania. Gaula será sempre um espaço de liberdade e de decisão.

Gaula ficou a ganhar com as últimas eleições intercalares. Ganhou: promoção, divulgação e participação democrática.

As razões que levaram à situação criada foram, já no dia dos resultados eleitorais, paulatinamente visíveis, quer pelos festejos de uns quer pelas hipocrisias de outros. O Povo de Gaula está finalmente a ver o que se passou e não foi preciso dizê-lo, pois as atitudes e os comportamentos pessoais assim o estão a revelar.

O exercício da política jamais será do domínio exclusivo dos partidos políticos. Eles existem, é lógico, mas passarão a coexistir com outras realidades democráticas emanadas da cidadania participativa. O grupo de cidadãos ‘Pelo Povo de Gaula’ é exemplo dessa cidadania, enquanto manifestação da consciência individual e colectiva. O nosso objectivo foi o de valorizar a democracia e de honrar a freguesia de Gaula, despertando consciências, liberdades e garantias com o auxílio de promessas verdadeiras e de cariz eminentemente social.

‘Pelo Povo de Gaula’ é um projecto para continuar e para fortalecer a actividade política. Contrariamente ao que muitos apelidaram, não foi uma iniciativa individual, calculista ou interesseira. Foi simplesmente uma mudança colectiva e de alternativa ao actual sistema político.

Na verdade, a freguesia ficará a ganhar. Alternativa de realização, obras que têm que ser realizadas, promessas que têm de ser cumpridas, projectos que têm que ser lançados no terreno. Assim se faz a democracia e assim se participa, com seriedade e responsabilidade, nos projectos políticos. As pessoas e os partidos lêem-se nesse horizonte pessoal, institucional e temporal. Houve gente que soube perder e gente que soube ganhar. Porém, alguns outros deliciaram-se na conquista de um objectivo que se traduziu em “derrotar os traidores” e como se viu e ainda se vê, nunca mais os vimos em Gaula, nem mesmo na simbólica iniciativa de tomada de posse.

‘Pelo Povo de Gaula’ é um movimento que estará sempre ao lado da população. Viver o momento é estar de momento disponível para assistir à continuidade do dia-a-dia da freguesia. Gaula honrou a Madeira. Gaula motivou a cidadania. Gaula será sempre um espaço de liberdade e de decisão.

Para mais informações sobre este projecto democrático consulte: www.pelopovodegaula.com.”

Élvio Sousa, in DN, ed. 10-7-2008.

Vingança rosa.

10 de Julho, 2008

“Quem acompanha, minimamente, a política regional não pode deixar de ter ficado espantado, para não dizer revoltado, com as declarações do presidente do PS-Madeira sobre o resultado das eleições em Gaula. Em entrevista ao Diário, o Sr. João Carlos Gouveia garantiu que para o PS o mais importante em Gaula era derrotar o PSD. É incrível mas é verdade. Para o líder do maior partido da oposição que pretende ser alternativa ao PSD era crucial vingar-se dos independentes, mesmo que isso representasse devolver a Junta de Freguesia aos laranjas.

Francamente, que oposicionista é este que, apenas, pretendia vingar-se dos seus antigos companheiros de partido porque eles decidiram pôr os interesses da sua freguesia à frente dos interesses do partido. A verdade é que o PS foi castigado em Gaula e teve apenas 70 votos enquanto os independentes atingiram quase 900 e o PSD teve mais 120. Se há algum derrotado em Gaula é o PS e o seu líder. Se há algum responsável pelo PSD ter ganho a culpa é do PS e do seu líder. Com este PS a oposição nunca mais chega lá!”

Sofia Henriques, in Cartas do Leitor, DN, ed. de 10-7-2008.

Bolo de Milho cozido na folha de couve.

8 de Julho, 2008

O milho foi um dos alimentos que a globalização dos Descobrimentos trouxe à mesa dos portugueses. De confecção muito remota e introduzida na Madeira no tempo do cultivo da cana-de-açúcar passou a acompanhar o receituário local, afirmando-se na dieta alimentar do madeirense.

Dando continuidade à temática abordada no artigo anterior, dedicada à gastronomia tradicional, hoje vamos abordar a confecção de um tipo específico de bolo de farinha de milho cozido sob uma “cama” de folhas de couve. A recolha teve lugar no secular Sítio do Povo, Freguesia de Gaula, às mãos de Rita Heliodora Vieira Martins, mãe do autor deste texto.

No registo deste património cultural que se perde nos tempos do “antigamente”, compreendia-se que esta forma peculiar de bolo (que juntava aos ingredientes a farinha de milho, um pouco de farinha de trigo, batata doce, fermento e sal) era prática comum no tempo das couves. O processo de confecção acompanhava o fabrico do pão, com a particularidade do bolo de milho ir ao forno, numa primeira cozedura, antes da enforna do pão.

O modus operandi é muito simples. Depois de levedar cerca de vinte minutos, o bolo de milho é repartido às unidades pelas folhas de couve, utilizando-se água para alisar. Em seguida cortavam-se as arestas da couve de modo a que estas não interferissem umas nas outras e no próprio pão, que também ia a cozer.

Procedia-se ao varrimento do forno, utilizando-se o varredor e o “puxa-brasas” e para formar e acoalhar testava-se uma primeira cozedura. Antes de ir ao forno e junto à pá proferia-se a seguinte uma oração: “Nosso Senhor te acrescente no forno, como a graça de Deus pelo Mundo todo”.

Depois de acoalhado, era retirado do forno e, junto à lareira, tiravam-se as folhas que suportaram de base na cozedura. A característica do bolo é manifestamente reconhecível nesta fase: no fundo formam-se os negativos do “esqueleto” da couve numa perfeita alegoria à arquitectura daquela hortaliça no recheio da crosta do milho.

Élvio Duarte Martins Sousa, publicado na Revista Rugas, Abril de 2008.

Orgulhosamente só?

7 de Julho, 2008

“São várias a vozes do PS que têm vindo a proclamar, à boca cheia, o quão derrotados saíram os cidadãos do movimento Pelo Povo de Gaula, nas eleições intercalares à Assembleia de Freguesia de Gaula. Filipe Sousa é chamado de traidor, de grande derrotado e é frequentemente lembrado do quão frágil é sem o PS, referindo-se, nomeadamente, ao resultado, onde, sem o PS, obtiveram “apenas” 828 votos.

O PS desceu vertiginosamente e obteve 3,56% dos votos, ridiculamente, diz-se que Filipe Sousa está “orgulhosamente só” quando tem consigo 42,16% da população de Gaula que foi votar nestas intercalares. Filipe Sousa não está só, definitivamente. Tem consigo grande parte da população que lhe reconhece o trabalho, esforço e dedicação a esta freguesia, tem consigo os cidadãos que integram o movimento Pelo Povo de Gaula que é um projecto vencedor.

Um resultado 5-4, ao contrário do desmérito que se lhe quer atribuir, é um óptimo resultado para um movimento novo, que teve pouco tempo para se dar a conhecer e que não teve toda uma estrutura de retaguarda como têm os partidos e é, com certeza, um incentivo à continuidade.

Dizer que o final do movimento PPG “não passou de uma grande fraude, porque em vez de ser “Pelo Povo de Gaula”, deveria ser “Pelo Meu Futuro”, é uma insinuação completamente despeitada. Se o objectivo do Filipe Sousa fosse o seu “futuro”, como diz Óscar Teixeira, ele não integraria este movimento, se a sua principal preocupação fosse um lugar na assembleia, como por várias vezes já insinuou o referido senhor, ele continuaria no PS onde mais facilmente atingiria esse objectivo e não num movimento de cidadãos que encontraria, sem dúvida, maiores dificuldades nessa pretensão.

Referir-se de forma depreciativa ao trabalho desenvolvido pelo Filipe Sousa ao longo destes anos é não conhecer, não estar informado ou não querer saber. A “caridadezinha” solitária como lhe chamam fez a diferença para muita gente. Sou Gaulesa e sou testemunha da dedicação do Filipe Sousa a esta freguesia, nunca um político se dedicou tanto às pessoas, nunca ninguém defendeu esta terra e a sua população como ele fez.

Acho que a freguesia ficou a ganhar com estas eleições, qualquer situação seria melhor do que a situação existente. O partido vencedor, o PSD, encabeçado pelo Gustavo Caires, tem-se revelado um partido mais correcto, mais respeitador dos outros. Saber perder também é uma qualidade e o PS não soube perder.

O Filipe era boa pessoa, era um político com valor… até ao dia 30 de Abril de 2008. Quando diz não ao PS deixa de ser boa pessoa, deixa de ser um político com valor e é insistentemente chamado de “traidor”. Traidor é o que age pela calada, enganando e falseando, e não foi essa a atitude do Filipe.

Os “irmãos” Sousa e todos os cidadãos do movimento Pelo Povo de Gaula estão orgulhosos do seu resultado eleitoral, para uma primeira prova um segundo lugar, com 42,16% dos votos, é, definitivamente, um estímulo à continuidade. As instituições fazem-se não só por ideais e convicções mas também pelas pessoas que as constituem. O PS na Europa não é o mesmo PS que na região, no concelho ou na “paróquia”. Algumas figuras do PS que admiro não se reflectem nesta postura de despeito e de desrespeito por quem pensa diferente.”

Liliana Neto, in “Cartas do Leitor”, DN, ed. de 7-7-2008.

“Dirigentes do PS-M deviam pôr o lugar à disposição”.

7 de Julho, 2008

Ex-coordenador autárquico lamenta incoerência de João Carlos Gouveia e considera que o partido “bateu no fundo”.

Era um dos mais proeminentes militantes do PS-M em Santa Cruz. Foi presidente da Junta de Freguesia de Gaula durante dois mandatos, deputado na Assembleia Legislativa da Madeira e continua vereador na Câmara Municipal de Santa Cruz. Mas lançou uma candidatura independente às eleições intercalares para a freguesia (realizadas há duas semanas) e tornou-se uma «espinha na garganta» da direcção socialista. É Filipe Sousa na primeira pessoa.

Tribuna - O que foi que impediu o movimento de cidadãos «Pelo Povo de Gaula» de chegar à vitória nas eleições intercalares de Gaula, realizadas há cerca de duas semanas?

FS - Sempre disse que estas eleições iriam ser disputadas por duas forças: o movimento de cidadãos que integrei e o PSD. Se houve um aspecto em concreto, eu diria que foi o pouco tempo que tivemos para preparar uma campanha devidamente estruturada. De qualquer modo, sinto satisfação porque a mensagem passou.

Estranhei, devo sublinhá-lo pela sua relevância, que estas eleições tiveram quatro candidaturas e três delas centraram todos os ataques numa só pessoa: eu próprio. Contra isso nada pudemos fazer. Não entrámos em ataques pessoais, fizemos uma campanha positiva. Apesar de tudo, esta foi a melhor campanha em que estive envolvido, acima de tudo pela forma participativa como os candidatos do movimento entregaram-se a estas eleições.

Tribuna - A hegemonia do PSD na Câmara Municipal de Santa Cruz e no Governo Regional foi um factor preponderante?

FS - Não sou apologista dessa versão, não é a Junta de Freguesia que faz obras. Mas reconheço que houve um fosso enorme entre as promessas do PSD e a nossa mensagem. O PSD garantiu que faria obra, enquanto todas as outras forças candidatas apenas podiam garantir que exigiriam à autarquia e ao Governo Regional que elas sejam feitas. Há aqui uma diferença enorme.

Ficámos a 120 votos da vitória, procurando esclarecer quais são as verdadeiras competências das juntas de freguesia, das autarquias e do Governo. O PSD prometeu mundos e fundos, promessas que até vinham das autárquicas de 2005, nunca concretizadas. Tal como investimentos do programa de Governo que não avançaram até à presente data. Contra este tipo de demagogias não podíamos fazer nada, apenas esclarecer a população. Eu sempre estive preparado para a vitória ou para a derrota e este resultado eleitoral não nos deitou abaixo, antes pelo contrário. Deu-nos força, até pela solidariedade que temos vindo a receber.

Tribuna - O resultado poderia ter sido diferente se fosse o cabeça de lista?

FS - Isso nem me passou pela cabeça. Contrariamente às ideias veiculadas pelas outras listas concorrentes, assumi um compromisso com a população de que encabeçaria candidaturas à Junta de Gaula apenas por dois mandatos. Só figurei nesta lista por acreditar no projecto. Julgo que a nossa acção cívica está a ter alguns reflexos positivos, não só nesta freguesia, como também em todas as outras freguesias do concelho.

“Líder do PS foi o primeiro a pensar em independentes”

Tribuna - São ambas expressões do líder do PS-M, João Carlos Gouveia, intervaladas por sensivelmente um ano. Qual é a sensação de passar de “valor imprescindível do PS-M” para “cacique” local?

FS - Lamento profundamente certo tipo de declarações de alguns responsáveis socialistas. Nem quero personalizar, mas tenho de lamentar publicamente a incoerência de certas pessoas. Para mim, é penoso e frustrante saber que esse tipo de pessoas estão a representar uma instituição como o PS-M.

Tribuna - Quando o PS-M ataca Filipe Sousa está a dar um «tiro nos pés»?

FS - Sem dúvida. Ainda hoje não acredito na campanha do PS para as eleições intercalares de Gaula: não tinha ideias nem projectos, procurou apenas apelidar-me de traidor. Não me passava pela cabeça que tais argumentos fizessem parte das ideias defendidas por João Carlos Gouveia.

O líder do PS-M foi, em Dezembro de 2007, a primeira pessoa que me falou num cenário de candidaturas independentes à Câmara Municipal de Santa Cruz. Senti sempre que essa era uma ideia firme da sua parte, tendo vindo a saber, de resto, que era algo que ele também chegou a defender para a Câmara Municipal do Funchal. Naturalmente, fiquei surpreendido quando foi o próprio dizer-me que a conversa que havíamos tido estava a sofrer fortes resistências dentro do partido.

Tribuna - O líder do PS-M voltou atrás nas suas convicções?

FS - Válidas ou não, as ideias do líder do PS-M estão a esbarrar em alguém que controla a máquina partidária. Isso é triste e frustrante para todos os socialistas. Significa que João Carlos Gouveia é um líder fortemente condicionado, não sei se por interesses políticos pessoais.

Em Janeiro de 2008, após a renúncia ao mandato por parte de Nazário Coelho, o próprio líder do PS-M convocou uma reunião em Gaula com os autarcas do PS no concelho e, junto com outros elementos da direcção, defendeu a queda da Junta de Freguesia, dizendo que seria a melhor solução. Manifestei-me totalmente contra a ideia, propus que se conversasse para encontrar soluções.

Tribuna - Quem propunha João Carlos Gouveia que viesse a encabeçar a lista candidata a novas eleições?

FS - Aí é que está o problema. Já nessa altura sabíamos que não tínhamos condições para encabeçar uma candidatura pelo PS ou por outro qualquer partido. O líder do PS-M já sabia dessa indisponibilidade desde Janeiro, algo que já vinha ao encontro do tal projecto de cidadãos independentes e era defendido pela larga maioria dos autarcas locais. A dada altura, João Carlos Gouveia fez depender o apoio do PS-M a uma candidatura independente à Junta de Gaula de um compromisso da minha parte de que assumiria a candidatura pelo PS à Câmara Municipal nas autárquicas de 2009. Declinei e passei a ser um “cacique” e um traidor. É este tipo de incoerência que está a destruir por completo a confiança do povo nas instituições.

Tribuna - Ficou surpreendido pela forma como decorreu a campanha?

FS - Não deixa de ser engraçado que o principal adversário do PS e da própria CDU não tenha sido o PSD, mas um grupo de cidadãos que tinha um projecto para Gaula, um projecto supra-partidário, independentemente de termos o apoio dos partidos A, B ou C. Não consigo compreender como é que o líder do PS fica feliz pelo PSD ter conseguido ganhar mais uma autarquia, como é que duas ou três pessoas que estão à frente do principal partido da oposição são capazes de lançar foguetes em caso de derrota.

Tribuna - Os estragos no PS-M não seriam piores em caso de vitória da lista pela qual se candidatou?

FS - Sabendo eu as conversas que tivemos, se fui bom quando aceitei integrar projectos partidários do PS, certamente não deixo de o ser quando declino alguma proposta. Eu também já convidei pessoas que declinaram entrar em determinados projectos, mas não foi por isso que a minha opinião mudou em relação a elas.

Tribuna - Já garantiu publicamente que este movimento vai estender-se à autárquicas do próximo ano. Quais são os objectivos?

FS - No domingo vamos falar à população de Gaula, à saída das missas, e dizer-lhes que este projecto não acaba pelo facto de não termos ganho. Isto é para continuar, porque temos sentido um «feedback» positivo nas outras freguesias do concelho e deixar o projecto morrer seria defraudar as expectativas de todas as pessoas que acreditaram em nós. E dizer-lhes que vamos continuar atentos às promessas do PSD.

“PS bateu no fundo, não sei se consegue descer mais”

Tribuna - Afasta definitivamente a hipótese de vir a candidatar-se por algum partido?

FS - Não posso dizer que «desta água não beberei», mas não me sinto minimamente motivado para algo desse tipo. Gosto de fazer parte de projectos onde me sinta livre. Foi o que aconteceu nesta campanha, com este movimento cívico. Quando fazia campanha pelo PS tinha que telefonar e insistir com as pessoas para que participassem. Desta vez foi diferente, há outro interesse e isso é para mim o mais importante.

Tribuna - Quem ganhava eleições em Gaula, o Filipe Sousa ou o PS?

FS - Continuo a achar que em eleições autárquicas as pessoas não votam nos partidos, votam nos candidatos. Mas, apesar das vitórias conseguidas em Gaula, os dirigentes do PS-M nunca tiveram o menor reconhecimento pelos resultados alcançados. Tendo em conta o que agora se viu nestas intercalares, as declarações proferidas, pergunto-me até onde este partido vai chegar. Penso que já bateu no fundo, não sei se consegue descer mais.

Tribuna - Vai ser o cabeça-de-lista do movimento cívico às autárquicas do próximo ano?

FS - Não faço questão disso. Há quem diga que eu quero o poder pelo poder, ou para entregá-lo a este ou aquele. São pessoas que não me conhecem. Eu gosto de integrar projectos, não interessa o lugar.

Tribuna - Admite a corrida a todas as freguesias do concelho?

FS - Estamos a pensar nisso. Existem contactos em duas ou três freguesias no sentido de avançar com candidaturas de cidadãos. Se tivéssemos outra Lei Eleitoral, teríamos todo o processo facilitado, permitindo-nos, a exemplo do que se passa nas juntas, apresentar uma lista conjunta à Câmara e Assembleia Municipal, fazendo com que o processo de elaboração das listas fosse muito mais fácil.

Tribuna - Será mais um rude golpe no PS-M, desta vez num concelho onde o partido costuma ter grande peso eleitoral.

FS - Há pessoas no PS-M que deviam parar para reflectir no que aconteceu em Gaula, apesar de considerarem a freguesia uma paróquia - uma paróquia que lembro já ter dado muitas vitórias ao partido. Perante as declarações que vieram a público na sequência das eleições, julgo que o melhor que tinham a fazer era pôr o lugar à disposição. Reconheço que Gaula é uma freguesia pequena, mas não deixa de ser um sinal importante. Tendo em conta os desafios eleitorais do próximo ano, é preciso que o partido leve um abanão. Precisam de ver, de uma vez por todas, que o caminho que estão a seguir não é o ideal e não trás quaisquer benefícios.

Tribuna - Esse abanão está a passar pela actuação do próprio Filipe Sousa?

FS - Não, nunca foi meu objectivo destruir qualquer direcção do PS-M. Muito se fala que a minha divergência com o partido advém do facto de não ter sido eleito deputado, mas o dr. João Carlos Gouveia sabe em que condições eu integrei a lista do PS-M candidata às regionais antecipadas de 2007. Nunca me preocupei com o facto de ser ou não eleito. Não o vejo como mentiroso, mas, se João Carlos Gouveia quer desmentir essa realidade, não está a ser correcto. De qualquer maneira, é um facto que muitas vezes é incoerente e não sabe ajuizar as suas palavras.

“Antes de militante, sou cidadão”

Tribuna - Tendo em conta o que se passou em Gaula, não teme ser acusado a partir das autárquicas de 2009 como o homem que acabou com o PS-M?

FS - Não gosto de fazer futurismos. Mas tendo em conta os resultados eleitorais de Gaula, as reacções que se seguiram e a dimensão que o concelho de Santa Cruz tem para o PS, corro esse risco. Mas o meu objectivo nem passa por pensar o que vai acontecer a este ou aquele partido, ou aquilo que eles vão pensar da nossa candidatura. Antes de ser militante do PS (ou ex-militante, não sei, nunca me notificaram acerca disso) sou um cidadão. A participação democrática na vida pública não se esgota nos partidos. Sempre o disse, mesmo no seio do próprio PS-M.

Tribuna - Se o PS-M tivesse agido de forma diferente e garantisse apoio ao movimento independente nas eleições para Gaula, teria aceite ser cabeça-de-lista do partido à Câmara Municipal no próximo ano?

FS - Isso nunca iria acontecer. Sempre fiz ver a João Carlos Gouveia qual era a minha visão sobre a participação na vida pública. Ele tem que entender e respeitar a vontade das pessoas. Quando me neguei a assumir esse compromisso, não estava pensando em destruir o partido à força, tinha razões pessoais e profissionais para tomar essa decisão. Penso que este grupo de cidadãos pode fazer algo pelo concelho. Se o conseguirmos, tanto melhor, em caso contrário também não vem mal ao mundo.

Tribuna - Mas admite que o facto de ser até há pouco tempo uma figura importante do PS-M no concelho de Santa Cruz está a ter implicações no partido?

FS - Tudo bem. Mas o que está a acontecer ao PS-M não advém do facto de Filipe Sousa ter abraçado uma candidatura independente. As decisões tomadas pelo partido é que devem ser levadas em conta por quem tem responsabilidades. Desde a primeira hora, sempre disse a João Carlos Gouveia que, independentemente de quem estivesse na disputa por Gaula, o grupo de cidadãos ia entrar na corrida. Uma semana antes da entrega das listas, o dr. João Carlos Gouveia veio dizer-me que o PS também iria apresentar candidatos. Com que intenção? Demover o Filipe Sousa? O PS esqueceu que a candidatura independente era uma pretensão generalizada de várias pessoas.

Tribuna - O apoio do BE e do CDS/PP foi prejudicial para uma candidatura que se queria assumir como supra-partidária?

FS - Não penso que tenhamos perdido por causa disso. Foi um argumento bastante explorado pelo PSD, mas o povo não olha a isso. A população de Gaula deu a maioria de mandatos ao PSD porque acreditou nas promessas feitas.

Entrevista de Filipe Sousa ao Tribuna da Madeira, da passada sexta-feira.

Orgulhosamente só.

6 de Julho, 2008

“A actividade política é por essência um exercício colectivo, porque se ultima no relacionamento pleno e global do colectivo social, porque exige amplos movimentos de cidadãos na realização e valorização dos seus diferentes objectivos programáticos.

Assim também, na consciência e sinergia de grupo, sobrevivem grandes organizações de solidariedade e voluntariado. “Não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita”. Diferente é a chamada “caridadezinha”, solitária e preocupada com uma estranha contabilidade de saldos terrestres ou celestes.

É natural e salutar o aparecimento de movimentos políticos de âmbito local como contra-resposta à prática desajustada dos partidos. Bastante estranho é quando os criadores de tais movimentos são justamente os únicos e soberanos responsáveis pelas políticas locais desses partidos.

Assim não pensaram os irmãos Sousa em Gaula. Em especial, o “Filipe de Sousa”, como faz questão de se auto-apresentar, na 3ª pessoa do “Jardel”, após 7 anos de total independência como Presidente da Concelhia do PS em Santa Cruz, após 7 anos de receber ajudas materiais e solidariedade dos militantes, após 7 anos de uma política autocentrada, que, como eucalipto, foi secando a vida interna do PS-Santa Cruz, finalmente decidiu e proclamou alto que os partidos só atrapalham. E fê-lo, assim, sem quaisquer razões que a razão possa entender, nem mesmo o facto de já não ter sido deputado em 2007.

Mas aqueles, aos quais os partidos atrapalham, como explicam que, nas Autárquicas de 2005, unidos ao PS, conquistassem 1303 votos, derrotando o PSD por 6-3, e agora em Junho, orgulhosamente sós, apenas obtivessem 828 votos, dando a vitória ao PSD por 5-4?

Em entrevista recente, F.S. considerou este resultado “extremamente estimulante”, “porque a nossa preocupação era o eleitorado confundir esta candidatura com o PS. Isto não aconteceu, o que para mim é motivante e estimulante para o futuro”.

Afinal o “movimento PPG” não passou de uma grande fraude, porque em vez de ser “Pelo Povo de Gaula”, deveria ser “Pelo Meu Futuro”. Afinal, para o G, rodeado de meia dúzia de pessoas em jeito de arame farpado e que pretenderiam evitar a investida dos melros pretos às amoras de Gaula, foi estimulante entregá-las de volta aos vampiros.

Além disso, em 2009, o G de Gaula será demasiado curto para a ambição anunciada de todo um Concelho.

Quanto ao PS, na Europa, no País, na Região, em Santa Cruz, em Gaula, continuará sempre a usar um grande G de Global, única visão política estratégica que ultrapassa as paróquias e os seus caciques, num movimento de futuro e continuidade pelo seu carácter.

Pode haver feridas profundas e dolorosas, mas o tempo fará a sua desparasitagem.” Óscar Teixeira, in DN, ed. de 4-7-2008.

O espelho da coisa!

2 de Julho, 2008

No discurso social, cultural e político existe inequivocamente uma distância assinalável entre aquilo que é dito e aquilo que é realmente feito. Neste aspecto, o discurso da coisa “Cultura” não deixa de ser paradigmático no reflexo do espelho dessa mesma coisa.

A análise da cultura regional sempre motivou reflexões teóricas assentes em modelos de intenção até hoje irrealizáveis. Vejam-se alguns indicadores dos programas de governo, leiam-se as conclusões dos congressos de “cultura madeirense”, com versões do tipo “simples subsídios criadores de subsídiodependência”, necessidade do “Estado relacionar-se de uma maneira culta com a cultura”. Enfim, demasiadas falácias. Curiosamente a premissa da relação do “Estado-Região” se portar de uma forma “culta” com a cultura - entenda-se também com a cidadania - é infelizmente uma tremenda contradição, na justificação daquilo que se afirma no primeiro parágrafo. No reflexo da substância da coisa, ou seja, na análise da forma como os “assuntos culturais” se comportam face à cidadania interventiva, permanecem travões mentais na abertura de espírito, na versão do “viver o repetido”, nas palavras de José Tolentino Mendonça, A cultura não é um “assunto”. A cultura é simplesmente um direito e uma manifestação genuína da Humanidade. Platão chegou à conclusão que o Homem é de todos os animais o que mais se imita a si próprio. Age por “mimetismo”. Na sua imitação primordial, o discurso cultural tem assentado na teorização do “eu” - como palimpsesto de formação académica, bibliográfica e transcendental.

A cultura precisa de realização, de operacionalização, de projectos realizáveis, de emotividade, de “querer” sem o manifesto do poder. 2008 será um ano de mudança mental e estruturante no domínio da participação da “sociedade da cidadania”. Não basta juntar a cultura à Educação. Neste momento crucial de mudança seria mais benéfico dar um pouco de educação à Cultura. Outra coisa ao espelho: A escolha de José M. Coelho para organizar a lista do PS pela Freguesia de Gaula não deixa de ser o reflexo do estado da coisa “socialista”. O desatino do “Ser coelho” e tudo o que representa na falta de equilíbrio e moderação democrática, afundará irremediavelmente sem que ninguém o valha - a coisa social-sem lista. Na busca de credibilidade na oposição regional o PS está a cavar um buraco demasiado profundo. Os alicerces estão à vista e ainda agora se começaram a escavar as primeiras tocas.”

Élvio Sousa, in Diário de Notícias - Madeira, ed. de 7/05/2008.

Tomada de posse: sexta-feira.

2 de Julho, 2008

A tomada de posse dos novos eleitos para a Assembleia de Freguesia da Freguesia de Gaula, entre os quais os quatro eleitos do PPG - Pelo Povo de Gaula [Élvio Sousa, Arlindo Rodrigues, Rubina Gomes e Filipe Sousa], tem lugar na próxima Sexta-feira, às 18.00 horas, no edificio da Junta da Freguesia.

Obrigado, Povo de Gaula.

24 de Junho, 2008

“O dia seguinte é quase sempre a oportunidade que temos para reflectir o passado recente. Sinceramente, neste momento cumpre-nos agradecer, com letra maiúscula, todo o empenho e dedicação que a nossa equipa demonstrou durante a campanha e no dia-a-dia na histórica Freguesia de Gaula.

A participação do eleitorado no nosso movimento foi expressiva. Não atingimos o objectivo da vitória, mas alcançámos a inerência da motivação da participação política por intermédio do grupo de cidadãos.

Gaula ficou a ganhar. Aliás, todos nós ficámos a ganhar: maturidade, motivação e confiança.

A vida democrática, parafraseando o amigo Arlindo Rodrigues, revela-se num “Assim é”, ou seja, numa manifestação das ideias pluralistas diante de um universo de ideais que jamais abandonaremos.

Gaula precisa de Nós. Gaula revela-se na diferença e na pertença de uma identidade muito própria.

Um abraço a toda a equipa que honrou o nosso projecto. Ao Filipe Sousa, portador da humildade humanista, ao José Manuel Rodrigues na confiança e na sinceridade, ao Roberto Almada na perseverança democrática e ao Rogério Freitas Sousa, mandatário judicial, na amizade e na seriedade profissional.

Todos juntos, por partes, fazemos um Todo.

Antes do fim, uma felicitação ao Gustavo Caíres, também gaulês, vencedor das eleições.

Por fim, um abraço sincero a todo o Povo de Gaula, porque acreditou no nosso projecto. Acreditar é o primeiro passo. Caminhar e cumprir o trajecto é sempre o passo seguinte.

Élvio Duarte Martins Sousa“.

Os nossos queridos eleitos.

24 de Junho, 2008

Os quatro candidatos do Pelo Povo de Gaula - PPG eleitos para Vogais da Assembleia de Freguesia da Freguesia de Gaula:

1º - Élvio Sousa

2º - Arlindo Rodrigues

3º - Rubina Gomes

4º - Filipe Sousa

Eleições de Gaula na TV.

24 de Junho, 2008

Telejornal - RTP Madeira, de 22-6-2008.

Resultados eleitorais definitivos.

23 de Junho, 2008

RTP - Madeira, 19.20 horas.

22 de Junho, 2008

especial-informacao-rtp-madeira

PPG ganhou uma secção de voto.

22 de Junho, 2008

O PPG ganhou numa Secção de Voto, segundo a RTP Madeira no Especial das 19.20 horas. Levando vantagem, ao que diz, sobre as demais candidaturas.

Resultados parciais.

22 de Junho, 2008

Na secção 2 - na Igreja - , os resultados finais são os seguintes:

PPG-Pelo Povo de Gaula - 263.

PPD/PSD - 275.

PS - 17.

CDU - 28.

E ponto final!

22 de Junho, 2008

As urnas das três Secções de Voto da Freguesia de Gaula já encerraram.

60% já votaram.

22 de Junho, 2008

O Acto Eleitoral encerra às 19.00 horas, ou seja daqui a cerca de uma hora.

Verificando-se já, segundo o noticiário da RTP-Madeira, uma participação cívica de 60% dos eleitores inscritos nos Cadernos Eleitorais.

O PPG na sua sede de campanha realiza, pelas 19.20 horas, conferência de imprensa, pela candidata Rubina Gomes.

À mesma hora, o candidato Arlindo Rodrigues participa no Especial de Informação da RTP-Madeira, que será emitido a partir do Centro Cívico de Gaula.

55,3% dos eleitores já exerceram o direito de voto.

22 de Junho, 2008

A afluência às urnas e a participação cívica dos eleitores da Freguesia de Gaula, às 17.00 horas, continua em crescente, verificando-se na Secção de Voto 1 cerca de 60% dos eleitores inscritos nos Cadernos Eleitorais já exerceram o seu direito de voto.

Na Secção de Voto 2 cerca de 46% e na Secção Única da Achada de Gaula cerca de 60%, numa média global na ordem dos 55,3%.

Cerca de 33% dos eleitores já votaram.

22 de Junho, 2008

Continuando a verificar-se uma boa afluência às urnas, às 14.00 horas, na Secção de Voto 1 cerca de 35% dos eleitores inscritos nos Cadernos Eleitorais já exerceram o seu direito de voto.

Na Secção de Voto 2 cerca de 30% e na Secção Única da Achada de Gaula cerca de 34%, numa média global na ordem dos 33%.

Cerca de 20,5% dos eleitores já votaram.

22 de Junho, 2008

Até ao momento, cerca das 10.30 horas, a afluência às urnas e às Secções de Voto decorre com normalidade, acentuando-se após a realização das missas.

Na Secção de Voto 1 cerca de 20% dos eleitores inscritos nos Cadernos Eleitorais já exerceram o seu direito de voto.

Na Secção de Voto 2 cerca de 19% e na Secção Única da Achada de Gaula cerca de 22%, numa média global na ordem dos 20,5%.

22 de Junho, 2008

Ouça as emissões online das rádios com a possível cobertura do Acto Eleitoral na Freguesia de Gaula  não obstante tal acontecimento com especial relevo não lhes merecer, estranhamente, qualquer destaque. Consulte os respectivos links na barra lateral, no Rollblog eleitoral.

RTP - Madeira: Especiais Informação.

22 de Junho, 2008

A RTP - Madeira dedica, ineditamente, hoje duas emissões especiais ao Acto Eleitoral que se realiza na Freguesia de Gaula.

A primeira às 19.20 horas que contará com a presença do candidato do PPG Arlindo Rodrigues e a segunda às 21.30 horas, na qual participará o candidato do PPG Élvio Sousa. Consulte aqui a respectiva programação.

Todos os partidos e independentes vão fazer declarações no final do dia

22 de Junho, 2008

“Hoje é dia de eleições em Gaula. Seja qual for o resultado, uma coisa é certa: a freguesia vai ter um novo presidente, que vai substituir Nazário Coelho. Ao cargo concorrem quatro pessoas, correspondendo a outras tantas candidaturas. Nenhuma destas assume ter uma festa de vitória preparada.

Gustavo Caires, cabeça-de-lista do PSD, garante que não existe qualquer festa pensada. Se houver alguma, por parte do seu partido, ela nascerá de forma expontânea.

Já a candidatura Pelo Povo de Gaula tem uma “concentração” de candidatos e de apoiantes, marcada para as 22 horas no calhau do Porto Novo. Mas também não é assumido que se trata de uma preparação de festejos.

O que todos assumem é que vão falar às populações e à comunicação social, no final do dia, depois do encerramento da urnas.

Gustavo Caires prevê falar pela primeira vez sobre os resultados eleitorais, pelas 21h20 para a RTP-M. Élvio Sousa vai falar pelas 21h30, também para a RTP-M. Mas antes, outro membro da candidatura vai fazer declarações à comunicação social. Rubina Gomes falará às 19h30, na sede de campanha.

Pela candidatura do PS, vai falar Marília Jardim Fernandes, que se candidata a presidente da Assembleia de Freguesia, em duas ocasiões. Primeiro à televisão, às 19h30 e de